37ª Mostra de Cinema em SP – Filme #10 – Tom Na Fazenda

Durante as 1h40 de duração do filme, eu só conseguia me perguntar: “Por que infernos eu nunca vi um filme do Xavier Dolan?”. Até agora não sei responder. A qualidade técnica, a qualidade na criação dos personagens e os detalhes da fotografia… todas são características que adoro, e que estão – pelo que me foi contando – em escala enorme nos filmes do Dolan, são memoráveis em Tom Na Fazenda, um dos filmes mais bonitos que vi na Mostra.

Pra começar, a construção do personagem do Tom, interpretado pelo próprio Xavier Dolan, é interessantíssima. Tom, um jovem gay que vai até a fazenda da família do seu ex-namorado para o funeral deste, encontra lá um refúgio para os seus medos e suas preocupações, até que o próprio lugar e as pessoas que vivem nele se tornam novas fontes de medo e preocupação. Além do mais, sem nenhuma cena exagerada – como, por exemplo, algumas apresentadas em Salvation Army – nós conseguimos compreender as inclinações de Tom, e conseguimos criar vínculos ainda maiores com aquele garoto tão destruído.

A fotografia criada aqui é algo hipnótico. Desde as primeiras cenas, do carro vagando pela estrada, até uma das cenas finais, no bar, a utilização de certos ângulos e paletas de cores reforçam sentimentos de abandono e de extrema tensão. Tom está tentando lidar com os seus problemas passados, atuais e com os seus próprios sentimentos, e esse redemoinho interno é muito bem representado pelo feedback visual da cinematografia. Ela consegue nos deixar perdidos (num bom sentido) no meio das imagens, consegue estreitar o sofrimento de Tom para nós. Um belo trabalho do André Turpin com parceria do Dolan.

O único porém do filme inteiro está no seu plot. Decidido em contar a história de maneira extremamente fragmentada, ele acaba criando uma espécie de lapso temporal, afinal acabamos perdendo a sensação de ver o tempo passar enquanto Tom está na fazenda. Pode ter sido feito dessa forma para explorar um recurso narrativo e colocar o espectador na mesma espécie de lapso que Tom estava vivendo lá, mas eu não sei. Se essa foi a intenção, retiro tudo que disse e parabenizo pela execução. Perfeito; Porém, se não foi, foi o único momento em que o filme pecou, por assim dizer.

Novamente, eu não acredito como eu nunca tinha visto um filme do Xavier Dolan. Ele trabalha extremamente bem todos os recurso que eu adoro num filme, e ainda assim eu nunca tinha ouvido falar dele. De qualquer forma, acho que Tom na Fazenda foi uma interessante forma de começar na filmografia do cara. Se todos mantiverem o mesmo nível de qualidade, é um dos diretores mais talentosos da atualidade (e mais jovens, também! Ele tem quatro filmes com apenas 24 anos! LOL). Um must-see, sem dúvida.

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