37ª Mostra de Cinema em SP – Filme #3 – Only In New York

Com uma intro em animação muito bem executada, que apresentava o caráter cômico do filme e dava, ao mesmo tempo, um background interessante do personagem principal, Arafat, Only In New York me conquistou desde os seus primeiros segundos. Eu anotei um “gostei” quase que instantaneamente, prevendo estar diante de um dos meus filmes favoritos da Mostra.

Nos primeiros 10 minutos de filme, você acompanha Arafat, um jovem Palestino-Americano viciado em pornografia, em um dia comum da sua vida. Durante esse tempo eu acreditei estar vendo uma versão engraçada de Shame, do Steve McQueen, mas depois dessa despressurização, eu consegui perceber o óbvio: Havia uma influência INSANA do Woody Allen ali. E eu comecei a prestar mais atenção nisso, fazendo ligações instantâneas quando elas aconteciam.

Aí você se pergunta: “Pera, mas quais eram essas influências?”. Primeiro de tudo, havia uma construção muito interessante do diálogo, escrito pelo Ghazi Albuliwi, ator que interpreta Arafat e que faz stand-up comedy profissional. Com base nisso, você deve imaginar que as falas eram extremamente engraçadas. Sim, elas eram, mas não se limitavam a isso. Elas eram MUITO inteligentes, carregando referências sensacionais de filmes (alguns do próprio Woody Allen), referências de rap e, principalmente, trazendo críticas inteligentíssimas sobre a sociedade Palestina e Israelense.

Aliás, eu me perdi um pouco e esqueci de colocar Israel nessa história. No filme, Arafat está sofrendo uma pressão absurda dos pais para encontrar uma esposa, mas ele quer estar com uma mulher com quem ele divida, ao menos, uma química. Depois de várias tentativas frustradas, ele adentra um grupo de terapia para viciados em sexo, e lá descobre um amigo que vira seu “wingman”, e arranja para Arafat uma garota israelense que estava ilegalmente no país, e que precisava do casamento para ganhar seu “Green Card”.

Uma garota israelense com um homem palestino. Agora imagine a quantidade de problemas que isso deve gerar. E as piadas criadas em relação a isso são TÃO críticas, ao mesmo tempo que são super engraçadas, que é necessário respeitar esse roteiro. Comédia é algo difícil de se fazer, porque qualquer passo descuidado te leva ao ridículo, e comédia crítica é um caminho trinta vezes mais perigoso. Mas, como eu já afirmei e reafirmei aqui, ela foi muito bem construída nesse filme.

Além do mais, as cores apresentadas nas cenas são muito lindas. Eu não lembro da fotografia ser excepcional, cheio de requinte técnico ou uma iluminação digna de uma pintura, mas eu lembro das cores. E para um daltônico lembrar das cores de um filme, elas precisam se destacar bastante. Por isso considero um ponto alto do filme, mas preciso assisti-lo de novo para realmente pontuar os motivos pelos quais as cores me marcaram.

Quando o filme acabou, eu fiquei imaginando ter visto um filme do Woody Allen. O diretor – Bandar Albuliwi, que estava na sessão – disse que ele esperava estar continuando um caminho criado pelo próprio Woody Allen. Nesse caso, eu não considero uma falta de personalidade, mas sim uma homenagem. Acredito que Only In New York foi uma belíssima homenagem dos irmãos Albuliwi para um dos gênios do cinema, e acho que ela foi certeira. Os diálogos inteligentes e engraçados, as críticas, as referências e a paixão por Nova York estavam lá. E, sinceramente, eu acho que isso é o suficiente. Um must-watch.

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