37ª Mostra de Cinema em SP – Filme #4 – Inside Llewyn Davis

Folk, Beats e Irmãos-Coen. Se você pedisse para resumir Inside Llewyn Davis em três palavras, essas seriam elas. No filme, a mais nova obra dos irmãos, acompanhamos Llewyn Davis, um músico de folk à procura de uma gravadora e do sucesso, mas que só é capaz de encontrar situações adversas e transtornos.

Logo na primeira cena – uma execução da “Hang Me, Oh Hang Me”, música original composta para o filme – você já encontra um personagem, o próprio Llewyn Davis, em um estado melancólico e decadente. Em seguida somos colocados em uma cena que apresenta um dos trunfos da fotografia do filme, os corredores e planos em perspectiva – famosos na mão do Stanley Kubrick -, numa transição entre um homem andando por um beco e um gato andando por um corredor. A qualidade dessas duas primeiras cenas me deixou intrigado para ver se ela se manteria alta durante o restante do filme, então eu simplesmente encostei na cadeira e deixei a história fluir.

Pulando de casa em casa, de sofá em sofá – como um bom personagem de um livro beat – Llewyn Davis se mostra exatamente como apresentado anteriormente: Melancólico e decadente, mas sempre um pivô de situações cômicas. E todos os personagens que se constroem ao redor dele, como Jean – personagem da Carey Mulligan, que atuou como uma deusa nórdica – também contribuem para expandir Llewyn nessas duas frentes em que ele se dispõe.

Porém, personagens e história não são um ponto forte do filme. Os personagens são bem comuns, na verdade, e a história é boa, mas não se aprofunda e não chega a ser excepcional, e isso é um fato que eu demorei um pouco para perceber. E eu demorei para perceber porque eu estava completamente maravilhado pelos dois gigantes destaques: Fotografia e a trilha sonora. A primeira é linda, sendo característica da década, com uma iluminação peculiar e filtros que tocavam o sépia e o granulado, mas pareciam estar sob uma camada de Multiply do Photoshop. Apesar das minhas comparações para ela serem horríveis, a fotografia é sensacional, uma das mais bonitas que vi na Mostra até agora (Atrás apenas da fotografia de A Garota e A Morte, que é uma obra de arte à parte). Já a trilha sonora se baseava em músicas folk belíssimas, e algumas com uma letra peculiarmente non-sense (como uma que falava sobre o Kennedy e outra que falava sobre a terceira esposa do Henrique VIII, Jane Seymour, mãe do seu único filho homem).

Inside Llewyn Davis é um filme que deve ser visto. Ele é melancólico, bonito e engraçado, tudo ao mesmo tempo. Tem cenas maravilhosas, como o passeio do Llewyn com um gato pelo metrô (com as luzes refletindo nas janelas e criando um efeito muito bonito, algo similar a algumas cenas de Sherlock) e a audição para o empresário em Chicago, que tem uma das iluminações mais bonitas do filme. Além disso as referências à década de 60 são gigantescas, considerando que o filme se passa em 1961 – Até o “Bob Dylan” está lá! Não é o melhor filme dos irmãos Coen, e não é o melhor filme que a Mostra apresentou até então, mas é um ótimo filme e, como eu já disse, deve ser visto.

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