37ª Mostra de Cinema em SP – Filme #8 – The Wind Rises

Eu fico realmente curioso para entender os motivos de tantos japoneses terem criticado esse filme. De hostilizá-lo por fazer associações ao designer de aviões Jirô Horikoshi, criador do Mitsubishi A6M Zero, um dos mais famosos aviões nipônicos durante a Segunda Grande Guerra. The Wind Rises é uma obra com o selo Ghibli de beleza e qualidade, e merecia uma rodada de aplausos, não de vaias.

“Aviões são sonhos, e os designers dão forma a esses sonhos”. E a questão do “sonhar” é bastante trabalhada em The Wind Rises. Dentro dos sonhos de Horikishi, as tonalidades e trejeitos utilizados se extrapolam, criando um destaque óbvio das paletas e gestos usados na “realidade”. Essa diferenciação é muito interessante, e você se vê envolvido em acompanhar os sonhos que levam Horikoshi a se tornar um designer e, posteriormente, criar seus modelos. Me lembrou em diversos momentos O excelente documentário Indie Game, em que os game designers, a exemplo de Phil Fish, contam como os jogos são unos com eles, de como eles são a sua vida. É uma mensagem bastante impactante e que vemos, de certa forma, ilustrada em The Wind Rises também.

Além do mais, a excelência técnica do Studio Ghibli se mostra ainda mais rebuscada aqui. Animações como as do Terremoto em Tóquio, as expressões dos personagens e objetos extremamente detalhados – em aparência e animação – como as réguas e as cadeiras, são de deixar boquiaberto, mesmo você sendo acostumado com o nível do estúdio.

E a história, apesar de extremamente fictícia, conta de uma maneira belíssima a trajetória de Jirô Horikoshi. A forma como os personagens se desenvolvem em conjunto com a narrativa, a personalidade desses mesmos personagens (Kayo Horikoshi, a irmã de Jirô, é uma figura à parte!) e todos esses detalhes relacionados à história e sua delicadeza – características típicos do Studio Ghibli – estão lá com uma qualidade absurda, e capazes de criar um senso de aproximação gigantesco com a narrativa. O que só me deixa triste, de certa forma, uma vez que The Wind Rises é o último filme do responsável por isso tudo, Hayao Miyazaki, o gênio criador dessas histórias, que está se aposentando do cinema após criar clássicos imensos como A Viagem de Chihiro, A Princesa Mononoke e Meu Vizinho Totoro.

Quem é fã de animação, Miyazaki ou de uma boa história sendo muito bem contada precisa assistir The Wind Rises. A sutileza como a narrativa se desenvolve é sensacional, e algo que simplesmente precisa ser admirado. Uma ótima carta de despedida do Hayao Miyazaki para os seus fãs, e um imenso presente para eles também. Assista esse filme. Assista-o várias vezes. Acho que vai demorar para vermos um filme com essa qualidade, beleza e delicadeza por um bom tempo.

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