A experiência de jogar Prison Architect

Ultimamente eu ando pesquisando e estudando bastante coisa relacionada à “experiência” de jogar. Não só se sentir entretido com o que você está jogando, mas também encontrar valores no jogo que possam ser refletidos na sua vida real. Pode ser um jogo que te inspire a fazer algo, um jogo que melhore sua percepção sobre o mundo, um jogo que te ajude a quebrar preconceitos… e apesar de existirem há um certo tempo, eles são pouquíssimo divulgados, e pouca gente acaba sabendo que ao menos existem.

Antes que você ache que eu estou falando de jogos de auto-ajuda, vou alertar: Esses jogos são absolutamente normais. Geralmente eles possuem mecânicas experimentais ou não-convencionais, mas eles continuam sendo jogos. Eles não pregam doutrinas sobre você. Você simplesmente o joga… até começar a compreender os valores que te apresentam. Mesmo que você simplesmente não ligue pra nada do que foi apresentado ali, mas a mensagem está intrínseca no tema e na jogabilidade.

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Prison Architect trabalha esses valores desde o começo. No mini-capítulo que funciona como tutorial, você aprende a lidar com planejamento arquitetônico, construção de edificações, conexão da rede elétrica e etc. Até aí, um gerenciador de recursos padrão. Mas é seguindo o tutorial que você começa a perceber como Prison Architect vai além disso. No jogo, além de simplesmente planejar e criar as construções, você também coordena a situação interna da prisão. Então você é apresentado à vida pessoal dos detentos, à histórias deles, às suas emoções… e uma das suas primeiras operações é construir uma sala de execução com uma cadeira elétrica. Então você é apresentado à história do homem designado para estreá-la, e por meio de um pequeno flashback você vai se inteirando no que o levou a cometer o crime que o colocou na cadeia.

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E a partir daí muitas questões morais começam a ser levantadas. Como diz o diretor da prisão, você está construindo uma “máquina de matar pessoas”. Ele também te avisa: “Não há nada que você possa fazer, a sentença dele já foi declarada”. O tutorial acaba com esse prisioneiro sendo executado, e com você começando a absorver (ou não) esses valores.

Mas pelo que andei vendo, muita gente absorveu essa mensagem do jogo sim:

 “Você começa a se estressar ao ver o tamanho das celas, ou se os prisioneiros terão ou não luz suficiente, se você deveria deixar a grama crescer nos lugares para fazer com que a estada deles seja mais tolerável, esquecendo que esses homens carregam consigo vários atos hediondos. Esse jogo é uma lição de moralidade”

– Dave Cook

E isso é um fato sensacional! Os jogos estão, finalmente, começando a tocar em temas que antes não era nem imagináveis de se passar para essa mídia. Um mídia, diga-se, extremamente rica mas extremamente inexplorada, persistindo em estimular pouquíssimas emoções do espectro humano, como o senso de poder por meio da ação/combate. Era basicamente o que era estimulado em Space Invaders, e esse jogo já tem 35 anos!

No final das contas, Prison Architect não se trata apenas de gerenciar prisões. Apesar de ser a mecânica principal do jogo – e de ser extremamente viciante e desafiadora -, o jogo extrapola para o ponto da experiência intrínseca que citei no começo do post. Ele aborda questões morais que a maioria dos jogadores – que estão ficando cada vez mais velhos e maduros – não conseguem com outros jogos. Esses jogadores estão desejando cada vez mais jogos que ofereçam diversão e aspectos positivos, mas que também trabalhem uma mensagem. O público quer experiências mais profundas que atirar descontroladamente pelo cenário.

A boa notícia é que já existem vários jogos que atingiram esse patamar. Só nos falta descobri-los (:

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