A Quest To Learn – Uma abordagem diferente para o aprendizado

A Quest to Learn é uma escola que foi criada por especialistas na área de educação e jogos para desenvolver um método de ensino mais sofisticado e capaz de trazer mais recompensas para os alunos, além de investir na criatividade, capacidade de solucionar problemas e no alívio das pressões extremas que temos constantemente nas nossas instituições de ensino.

Para citar alguns exemplos da grade curricular de cada aluno, na Quest to Learn eles são submetidos a “quests secretas” – Exercícios de matemática que resolvem um código, exercícios de literatura que criam anagramas, etc – que dão XP (sim, a escola bonifica os alunos com Pontos de Experiência) extra para que eles sejam capazes de solucionar desafios diversos. E o mais interessante sobre essas quests secretas é que eles as encontram escondidas em livros, apostilas, salas e áreas comuns da escola. Eles basicamente colocam os alunos numa “caça ao tesouro” por exercícios que, diferentemente dos aplicados nas escolas que seguem um método convencional de ensino, geram mais estresse positivo e “fiero”, sensações benéficas para o organismo.

Nas aulas, os alunos não estão preocupados em obter uma boa nota. Na verdade, eles estão mais preocupados em “upar” em determinada matéria. Cada matéria tem uma lista diversificada de “missões” que cada aluno deve cumprir para atingir o nível de “Mestre” naquela matéria. Por exemplo.: Para obter o nível de “Mestre” em Inglês, o aluno deve fazer missões de redação, que renderão pontos X, missões de interpretação, que renderão mais pontos X, e eventualmente resolver missões secretas, que o bonificarão ainda mais. Na soma de pontos ele adquire o status de “Mestre”, ao invés de obter uma nota que ficará perpetuada no seu boletim como exemplo de fracasso.

Os alunos também possuem um sistema online similar aos chats de raids de MMO. Lá eles podem colocar suas especialidades ou procurar missões que necessitem delas para serem resolvidas. Num exemplo retirado do “A Realidade em Jogo”, livro que estou lendo atualmente, a garota sabia, por pura diversão, modelar e desenhar mapas no seu computador, então ela publicou uma nota sobre a sua qualificação em cartografia. Isso fez com que alunos de outro ano a chamassem para uma missão que buscava compreender e estudar objetos antigos da África e criar uma história que explicasse a importância desses objetos para a sociedade na qual eles foram criados. E para ajudar a complementar essa história, esses alunos precisavam de uma boa cartógrafa que pudesse planejar, desenhar e modelar um mapa, que funcionaria, inclusive, como material de estudo sobre a África para alunos dos outros anos.

A escola também proporciona “missões especiais” com “aliados secretos”, que são palestrantes convidados para lecionar alguma matéria fora da grade comum de ensino. Por exemplo, um especialista em música vem para a escola lecionar sobre criação de música a partir de software. Os alunos são motivados a pesquisar, desenvolver e criar suas próprias músicas, além de trabalhar constantemente na manipulação do software.

E o grande mérito da escola é, para mim, o seu método de testes. Cada aluno deve ensinar a um bot – programado para saber menos que as crianças – sobre um determinado assunto. O bot tem capacidade de aprender dependendo da forma como o assunto lhe é explicado, e cada aluno deve provar – não por métodos similares ou aceitáveis pelo seus professores, mas por métodos próprios ou até mesmo mais fáceis que os convencionais – que ele realmente domina o assunto. Dessa forma ele não é exposto à pressão constante dos testes e provas convencionais, mas por um modelo que, além de tudo, favorece o naches – o orgulho indireto, proveniente da obtenção de sucesso in-game de alguém a quem ensinamos ou ajudamos a jogar -, outro sentimento bastante recompensador.

De modo geral, essa escola proporciona um aprendizado mais criativo, mais focado no esforço em equipe, e capaz de manter os alunos participando integralmente – Fazendo as atividades com convicção e de uma maneira não-forçada; Se preocupando com o resultado final; E não esperando passivamente pela solução dos problemas – dos exercícios escolares. Impressionante e satisfatório perceber a mecânica dos jogos funcionar tão bem no sistema de ensino por meio de um ARG bastante ousado, porém sensacional e realmente visionário, capaz de preparar os alunos para resolver as dificuldades da vida de forma inovadora e empolgada – Bem diferente de como eles nos preparam hoje.

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