Capitão Phillips

[Captain Richard Phillips] There’s got to be something other than being a fisherman or kidnapping people!

[Muse] Maybe in America, Irish, maybe in America.

Sabe quando você assiste um filme e nos minutos iniciais você tem a sensação de que ele foi feito visando um Oscar? Captain Phillips é um desses filmes. Porém, diferentemente de épicos Históricos como O Discurso do Rei e Lincoln, esse daqui – dirigido pelo monstruoso Paul Greengrass – o que vemos nesse filme é um suspense e uma execução quase viscerais, com um estilo bem focado em documentários e filmes de spec ops à lá os livros do Tom Clancy.

Baseado em fatos reais – a captura de um navio mercante e o sequestro do seu capitão por piratas somali – o filme tem um começo interessantíssimo, mostrando não só a backstory do tal Capitão Richard Phillips, mas também a vida numa aldeia da Somália, com todas as dificuldades e problemas vividos pelas pessoas de lá. O interessante é que aqui a história não tenta de alguma forma demonizar ou desumanizar os somali – o roteiro é muito bem construído para mostrar que eles são seres humanos quaisquer, mas que sofrem por conta do abuso de seus “chefes”. Os poucos minutos na aldeia são suficientes para mostrarem as condições extremamente sofríveis em que eles vivem e, assim, criar um caminho de entendimento para as suas ações no decorrer do filme.

A história se desenvolve em picos de tensão com momentos de alivio, criando uma estrutura típica dos filmes de Greengrass, e o roteiro super bem construído nos deixa inclinados em direção da tela durante boa parte do filme, especialmente durante sua meia hora final. No entanto, o decorrer dele também é extremamente hipnótico, com a narrativa sendo guiada de maneira belíssima pela atuação de Tom Hanks, no papel do próprio Capitão Phillips, e do quarteto de somali que cria o grupo antagonista. A atuação de todos eles é sensacional, mas os destaques acabam caindo na dupla responsável pelo conflito interno: Faysal Ahmed, no papel do pavio-curto Najee, e Barkhad Abdi, no papel do líder Muse. A atuação deles cria toda a apreensão necessária para conduzir as cenas no tom certo, e esse é um dos maiores méritos do filme.

Agora voltando àqueles minutos finais que citei acima. Considerando que é uma história real de 2009, não existe muito o que pode ser chamado de spoiler. Mas enfim, se você não quer perder NADA da experiência do filme, pule esse parágrafo – Eu não fiquei tão empolgado com uma cena como a do começo da operação dos SEALs. Em termos de apreensão, essa cena abre um dos atos mais nervosos entre os filmes deste ano. É impossível encostar na cadeira. Sério. O seu cérebro é tragado para a tensão do momento, e você simplesmente NECESSITA saber a resolução daquilo, mesmo que, de certa forma, você já saiba. Fora que podemos considerar esse ato como uma prévia do premiado filme do ano passado, Zero Dark Thirty, que conta a história da captura e execução do Osama Bin Laden. Os motivos? O esquadrão que salvou o Capitão Phillips é o mesmo que capturou o terrorista.

No final das contas, o filme rende muito. Ele até pode ter sido feito visando premiações como o Oscar, mas ele sabe ter o seu poder próprio. Ele trabalha um suspense gigantesco, trabalha atuações magníficas e carrega um roteiro MUITO bem construído. Não dá pra ficar alheio à importância que esse filme tem esse ano. Os níveis de apreensão e os picos de tensão se assemelham aos de Os Suspeitos, mas acho que aqui eles atingem níveis ainda maiores. É muita intensidade vindo de todos os lados, e você acaba ficando sufocado no meio disso tudo. Aliás, considerando Capitão Phillips, Gravidade e Os Suspeitos, filmes que considero os melhores Blockbusters deste ano, ficar sem ar/sufocado parece ser a premissa principal das histórias de 2013. E pra ser sincero, que continue assim.

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