Em Chamas

Eu não criei expectativa nenhuma para assistir Em Chamas. Não vi trailer, não vi entrevista, e não li nenhuma pré-review. Fui ao cinema apenas com a ideia que eu tinha do livro, com a lembrança do tom tenso escalando para o brutal. E isso foi uma decisão das mais certas.

O filme começa com uma Katniss vitoriosa, mas ainda presa nas preocupações do mundo em que ela vive. A pressão da Capital, a prisão do seu falso relacionamento com Peeta e a vontade de se livrar de tudo e tentar ser livre. Nesse ponto a direção é impecável, mostrando essas incertezas de uma forma bastante orgânica, fazendo Katniss se colocar os problemas maiores que a estão cercando em frente do triângulo amoroso que envolve ela, Peeta e Gale. Diferentemente do livro, que nesse ato cai em redemoinhos bastante melosos e chatos, o filme cria uma aura de tensão e preocupação enervante, mantendo você preso na cadeira durante todo o seu decorrer.

Já a parte da arena, o meu momento favorito do segundo livro, é recriado quase que à perfeição nas telas, deixando o tom de sobrevivência em alta, ao passo em que desenvolve de maneira muito boa a relação dos personagens. Aliás, a relação entre personagens é algo que esse filme peca tanto quanto no primeiro filme. Caso eu não tivesse lido o livro, dificilmente compraria a relação tão próxima de Katniss com a sua irmã – que, no entanto, é compreensível – ou a sua relação intimista com Cinna, que chega ao ápice nesse filme. Ela parece não ter uma valorização no roteiro, algo que é mostrado com bastante convicção no livro, mas que sofre um pouco para apresentar alguns sentimentos e experiências na telona. Uma pena, mas nada que prejudique de forma imensa o filme.

A fotografia e o figurino são dignos de nota, também. As cores, os ângulos – em muitas vezes simétricos, algo que me agrada muito – e forma como as cenas são construídas evoluíram bastante do primeiro filme para esse, um ponto positivíssimo. Isso ajuda pra potencializar o tom denso e triste dos próximos filmes, que se copiarem à exatidão o texto original do Mockingjay, último livro da trilogia, vai ser uma experiência devastadora para alguns. O Mockingjay, que é também o meu livro favorito da série, lida com os extremos dos personagens, de toda a política criada pela série (que diga-se de passagem, foi muito bem abordada no Em Chamas, sem cair numa falação sem conteúdo) e com as decisões mais drásticas que poderiam ser tomadas. Se isso chegar no cinema da forma como é abordado no livro, poderemos ter um dos melhores filmes de 2014 aí.

Por fim, Em Chamas é um filme que precisa ser assistido. É um filme excelente, que tem algumas falhas sim, mas cujo resultado final é bastante satisfatório. Eu gosto especialmente do final dele, por criar toda essa linkagem com a meu momento favorito da série. No final das contas, eu não consigo esperar para assistir Mockingjay nos cinemas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s