Frances Ha

Quando eu botei o pé pra fora do cinema, eu não sabia pra onde ir. Errei o caminho pra saída, andei na direção contrária à do metrô e por pouco não fui pro outro lado da cidade, bem longe da minha casa. Eu estava hipnotizado, confuso, mas – acima de tudo – eu não conseguia parar de pensar no que tinha acabado de ver. E eu só lembro de ter saído do cinema desse jeito em outros dois filmes: A Árvore da Vida e Melancolia, que considero dois dos melhores e mais bonitos filmes que vi na minha vida.

Porém, diferentemente da complexidade técnica e da narrativa filosófica de A Árvore da Vida e da densidade humana de Melancholia, Frances Ha passa longe de ser um filme complexo. Ele é bastante orgânico, orgânico até demais, o que faz você invariavelmente se apegar bastante às personagens, especialmente Frances (interpretada pela Greta Gerwig de uma maneira assustadoramente boa, na minha opinião).

Com base nesse apego, você acaba completamente imerso na história e nas reviravoltas emocionais do filme. Apesar de Frances estar sempre atribuindo maneiras alegres e positivas para lidar com os problemas que ela esbarra constantemente, há também os momentos de tristeza e solidão, e eles interagem de uma maneira bastante delicada com o público que está imerso na história daquela garota. Eu não consegui sentir o impacto emocional de nenhum deles até o final, por exemplo, quando o filme acabou e eu fiquei encarando os créditos e pensando em tudo que havia visto, e como tudo aquilo afetou a vida da Frances, e… eu ainda estou buscando uma maneira para poder explicar, mas parece uma sensação impossível de descrever.

Eu acho que alguns filmes você simplesmente deve assistir para conseguir compreender tudo o que ele está disposto a expressar, e Frances Ha é um deles. Com toda a bagagem que ele coloca numa narrativa sobre uma garota aprendendo a lidar com a sua vida, eu acho difícil não se identificar com pelo menos alguma parcela daquela personagem. Você há de concordar que em alguma ação dela, em algum diálogo, alguma ideia ou algum gesto, você vai se sentir como olhando para um espelho. Simplesmente pelo fato dela ser tão “orgânica” e “comum” que todos nós temos um pouco da Francis conosco.

E pensando bem, talvez tenha sido por isso que saí tão embasbacado do cinema. Eu vi ali muita coisa minha, e muita coisa de pessoas próximas a mim, e eu fiquei assustado com aquilo tudo. Mas assustado de uma maneira positiva, especialmente pelo fato de que a mensagem geral do filme era positiva. Apesar de ter sido inundado por toda a carga emocional triste somente no final da sessão, relembrando as situações do decorrer da história, o resultado final – e a mensagem final que Frances Ha teve para mim – foi algo muito bom. Eu estou quase equiparando ele a Into The Wild, outro filme importantíssimo para mim e que me deixa num estado similar.

Não, não vou comentar sobre a fotografia (que é uma pérola de iluminação e simetria, e por ser toda em preto-e-branco nos deixa focados nas personagens e na história) ou na narrativa em si. Eu só quero reforçar como a experiência foi excelente. É um filme que eu não considero complexo, mas também não acho que ele seja fácil de assistir. É um filme excelente, e eu só tenho que agradecer à propaganda do Tarantino, do Edgar Wright e, mais importante, da Bianca, que insistiu para que eu assistisse logo esse filme. O meu único arrependimento é não tê-lo visto mais cedo.

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