Os Suspeitos

Quando eu li a sinopse pela primeira vez, acreditei que Os Suspeitos fosse uma versão sem o Liam Neeson de Busca Implacável. Ou seja, acreditei que o filme fosse uma merda. Ainda bem que o time Denis Villeneuve, Aaron Guzikowski, Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal me fizeram pensar exatamente o contrário.

Quando você adentra o Universo de Os Suspeitos, você é colocado sob uma camada de tensão extrema – que é muito bem reforçada pela trilha sonora e pela fotografia. A narrativa acompanha os passos de Keller Dover, interpretado epicamente por Hugh Jackman, na busca pela sua filha e pela amiga dela, que desapareceram no Dia de Ação de Graças. Tomado pelo nervosismo, a sede por justiça e a decepção de ver as pistas da polícia sempre caírem na falsas promessas, Keller começa a se mostrar preso num labirinto psicológico intransponível, metáfora essa que devo comentar mais pra frente.

Auxiliando Keller nessa busca está o Detetive Loki, interpretado por Jake Gyllenhaal. Aliás, após a birra que eu adquiri por ele por seu papel em “The Prince of Persia”, finalmente volto a encará-lo com bons olhos, uma vez que a sua interpretação em Os Suspeitos está fenomenal. O seu personagem é um detetive que, apesar de estar morrendo de vontade de ajudar as famílias desesperadas a encontrarem suas filhas, também se vê limitado pelas questões profissionais que o impedem de ajudar ainda mais. E a sua perturbação interior, como dito na análise do Pablo Villaça sobre o filme, é representada de uma maneira minimalista por seu toque em ficar piscando constantemente e de maneira angustiantemente forçada.

O roteiro é uma pérola à parte, devo dizer. Lembrou filmes como Zodíaco e jogos como Heavy Rain, por sua questão policial e seus mistérios intricados. Aliás, uma das questões que mais gostei em Os Suspeitos é como ele entrega pontos importantíssimos para a história de uma maneira delicada e sutil, sem chamar muita atenção, e deixa que você vá ligando os fatos no futuro. Acho uma das formas de escrita mais honestas e respeitosas que existem, porque ela não pressupõe que o espectador não é inteligente o suficiente para fazer essas ligações. É um conceito narrativo muito bem utilizado em jogos como o próprio Heavy Rain, BioShock e Half-Life. E quando o twist acontece e você começa a criar as ligações certas para aquele momento… é, é uma experiência bem interessante.

Muita gente está falando que Os Suspeitos é o melhor filme do ano, candidato fortíssimo ao Oscar. Eu não arriscaria dizer isso ainda, mas eu acredito que ele estará figurando lá sim. Ao menos uma indicação para o Jackman e o Gyllenhaal por suas atuações belíssimas, e para o Guzikowski, por seu roteiro impecável. Mas, independente das premiações, assista Os Suspeitos. É uma experiência policial/thriller interessantíssima, uma das melhores que já tive. E acredito que esse filme vai figurar FÁCIL numa lista Top 5 dos melhores de 2013. Ou seja, um “Must-See”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s