The World’s End

Encerrando a famosa Cornetto Trilogy de forma incrível, The World’s End trata da reunião de um grupo de amigos para relembrar e reviver uma das melhores memórias da adolescência deles: Percorrer a Golden Mile, uma série de 12 pubs em New Haven, a cidade natal deles, e beber pelo menos um caneco de cerveja em cada um deles.

Em termos de direção, a evolução do Edgar Wright em The World’s End em relação a Hot Fuzz, o segundo filme dessa trilogia, é gigantesca. Tendo ele dirigido o excelente Scott Pilgrim no meio do caminho, é de se esperar muitas influências da linguagem dos quadrinhos e até da linguagem cinematográfica ímpar desenvolvida por Wright em Scott Pilgrim aparecendo em The World’s End. E isso é gritantemente fantástico, uma vez que o filme cresce de uma maneira inesperada e excepcional com essa soma técnica.

Eu vi muita gente reclamando do filme por motivos que, ao meu ver, são um pouco precipitados. The World’s End é, antes de tudo, um filme sobre amizade. Amigos se reúnem para reativar memórias da adolescência. Essa é a história do filme. O que acontece para atrapalhar essa evolução é um complemento a esse momento que herdou muito do “Stand By Me”. Eu acho que é com esses olhos que esse filme deve ser observado, o desfecho de uma trilogia feita por três amigos, e que representa justamente a paixão de um grupo de amigos por alguma coisa.

Não posso deixar de comentar como isso tudo me lembrou Of Dice and Men, livro que ando lendo no momento e que trata, entre várias outras coisas, sobre adultos jogando D&D. A forma como eles burlaram a vergonha que sentiam por estarem fazendo isso e redescobriram um jogo que os formou como pessoas e serviu para moldar a personalidade de cada um deles. The World’s End tem muito disso, pois a primeira Golden Mile realizada por esses amigos serviu para moldá-los pro futuro. A forma como os personagens evoluem em cima disso é incrível, e o roteiro do Wright em parceria com Simon Pegg é digno de palmas.

Outra questão genial abordada no filme é o nível de referências. Em Shaun of The Dead e Hot Fuzz, elas transbordam conhecimento e maneirismos dos gêneros abordados, e isso não é diferente em The World’s End. De coisas mais clássicas, que remetem BASTANTE a Doctor Who – uma paixão e referência constante de Pegg e Wright -, até coisas mais atuais, como J.J. Abrams, o filme passeia por detalhes encantadores para o espectador atento.

E uma característica técnica que não pode ser deixada de lado é a qualidade dos cortes desse filme. Tão sutis e ao mesmo tempo impactantes, eles mostram uma maneira que, apesar de não ser nova, é usada com uma maestria genial aqui, e que merece a atenção de todos que forem assisti-lo.

Quando você para pra observar The World’s End em soma com todos os outros filmes da Cornetto Trilogy – Caso você esteja se perguntando os motivos desse nome, é pelo fato de que cada filme é baseado em um sabor de Cornetto: Morango, Clássico e Menta. E cada filme utiliza uma paleta de cores baseada no sabor que representa, no caso, vermelho, azul e verde. E, pra finalizar, um sorvete do sabor condizente com cada filme faz uma participação especial no filme que o representa, seja de maneira drástica ou como easter egg. Mas voltando… – Quando você observa o The World’s End em soma com todos os outros filmes da Cornetto Trilogy, você percebe que todos eles tratam sobre a amizade de certa forma. São amigos que superam desafios juntos. São filmes que herdam a lição deixada por Stand By Me, e a representam de forma engraçada e repleta de referências da cultura pop. São filmes que você NECESSITA assistir, de preferência com algum amigo. Ou um grupo de amigos. Ou com alguém que você goste muito. Porque, no final das contas, esses filmes são uma ode aos momentos memoráveis com essas pessoas.

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