République – Review

(Texto por @CaiqueBarSil)

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“Eu costumava ficar com raiva porque achava que meu governo não estava me escutando. Agora tenho raiva porque sei que estão.” – Daniel Zager (République)

 

Um país fora do mapa, escondido de todo o restante do mundo: tudo é vigiado, cada passo observado, cada ação registrada: o governo possui controle absoluto sobre o que você lê, faz e pensa, e qualquer pensamento que fuja de seus ideais é considerado um veneno e seu receptáculo precisa ser reprogramado ou apagado. Esta é a République.

É desse lugar que você recebe uma ligação desconhecida: uma garota chamada Hope lhe telefona pedindo por socorro. Ela foi descoberta lendo um Manifesto com informações “adulteradas”, que fogem ao totalitarismo do “Headmaster” da République, e está prestes a ser “apagada”.

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Você é “Cooper”, um hacker que prefere não se identificar e fala através de um sintetizador de voz (ao melhor estilo GLaDOS, mas não tão carismático)  e “emoticons” que foram trazidos até a Republique pelo celular de Hope.

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Porém esse não é um celular comum. Equipado com um software chamado “OMNI”, o jogador consegue acesso à todo equipamento eletrônico que esteja dentro do raio de alcance do celular. Ao entrar no modo OMNI View, o mundo é congelado e você pode realizar as mais variadas ações como transportar-se através de câmeras, destravar portas, hackear equipamentos, dentre outras. E é desta maneira que você guia Hope em sua fuga através da République.

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Quando o estúdio Camouflaj – composto por veteranos que trabalharam em jogos como FEAR, Metal Gear Solid e Halo, juntamente com o Logan (responsável pelo comercial de televisão de Skyrim) se propôs em sua campanha no Kickstarter a produzir um jogo AAA do gênero Stealth (espionagem) feito especificamente para controles baseados na tela de toque, sem nenhum foco em “matar” inimigos, com uma protagonista feminina não-sexualizada, explorar assuntos maduros e profundos (todos esses grandes problemas na indústria), muitos tiveram suas dúvidas; mesmo assim a campanha foi bem sucedida e o primeiro episódio “Exordium” de République foi lançado. O jogo é completamente produzido usando-se a engine Unity, e possui  gráficos e expressões faciais impressionantes para as plataformas móveis, sem contar o voice acting de peso, com nomes como David Hayter (Metal Gear Solid), Jennifer Hale (Mass Effect, Bioshock Infinite) e Dwight Schultz (Killer 7, Star Trek). Os diálogos são ótimos, e tudo coopera para dar um clima robusto ao jogo: é realmente uma experiência completa (apesar de ser um episódio apenas, por enquanto. Logo, leva-se de 4-6 horas para terminá-lo).

Quanto ao gameplay, République realmente não deixa a desejar: a câmera do jogo é… Bem… Câmeras! Cada câmera que você acessa através do OMNI View te permite a visualização de ângulos diferentes do cenário, podendo ver se  há algum Prizrak (como são chamados os guardas) em patrulha, e guiar Hope em segurança. Basta tocar em algum lugar da tela e Hope andará até lá. Toque duas vezes e ela correrá (mas cuidado: correr faz barulho e guardas podem te ouvir). Tal mecânica não funciona perfeitamente quando você tenta se espreitar em cantos do mundo 3D, mas desde que você saiba revezar entre as câmeras corretas, você provavelmente não terá problemas. Já no OMNI View, basta tocar em ícones que vão desde câmeras e portas até computadores e cafeteiras e você irá imediatamente interagir com eles, desde que você possua a versão necessária do OMNI (mais sobre isso adiante).

Como mecânica, existem, no caminho, armários, estátuas, plantas… Diversos lugares onde Hope pode se esconder da patrulha dos Prizrak, os quais podem, também, ser roubados, dando ao jogados diversos itens e colecionáveis (desde que não percebam, caso contrário, ou você será obrigado a usar um item para atordoá-los, ou será pego por eles). Há, mais adiante no jogo, objetos que podem distraí-los, como rádios, alarmes e cafeteiras e também portas e objetos que necessitam de uma versão mais atualizada do OMNI, que só pode ser conseguida num local específico. Contudo, essas tipo de interação com objetos usando o OMNI gasta a bateria do celular, o que nos leva aos itens e Power Ups.

Durante o percurso, Hope pode coletar Sprays de Pimenta, Tasers e Pilhas, que a ajudam a combater os Prizrak. Há também itens colecionáveis como livros que foram banidos pelo Headmaster da biblioteca (que em sua grande parte tratam sobre a sexualidade), gravações em fita cassete de Daniel Zager, um hacker considerado um terrorista por disseminar ideias e pensamentos proibidos à République e que, até onde o primeiro episódio nos conta, foi apreendido e morto pelo governo (mas que com certeza terá grandíssima importância no decorrer dos próximos 4 episódios) e, os mais interessantes, cartuchos de jogos no melhor estilo Atari-2600 de games que estão na App Store. Não sei ao certo se são propagandas ou homenagens, mas seria o melhor advertising feito num jogo mobile até agora. E por falar em homenagem, o jogo possui várias delas, mas de maneira sutil, que, provavelmente, apenas jogadores mais hardcore perceberão. Destaco aqui a voz “rouca” dizendo “What are You buying?” (Resident Evil 4) quando você acessa o computador onde você pode comprar “upgrades” que são habilidades novas para seu OMNI, mas, aqui, de uma maneira mais “eletrônica”, adequando-se ao universo do jogo.

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E o mais legal de tudo é que todo o gameplay é ensinado de maneira simples, usando pôsteres espalhados pelo cenário, sem haver quebra de imersão com tutoriais desnecessários. Outro recurso que merece ser mencionado é a total ausência de “Game Over”. Caso o jogador não possua nenhum item para combater um Prizrak que o capture, ele será escoltado até a cela mais próxima, de onde pode escapar hackeando facilmente o sistema. Contudo, o guarda que o prendeu levará todos os seus itens com ele, então cabe ao jogador tentar roubá-lo novamente, ou simplesmente deixar pra lá.

Como minhas considerações finais, devo dizer: République veio para cumprir o que promete: a estética do jogo é ótima, o sound design muito bem cuidado (quando Cooper o telefona você ouve até aquele barulho de interferência que seu celular causa quando você deixa ele perto das caixas de som do computador, por exemplo), o voice acting (principalmente o de Jennifer Hale) primoroso, o gameplay realmente furtivo e não há o que reclamar dos controles de toque, e o ambiente realmente imersivo (principalmente se jogado com fones de ouvido). Devo dizer que passear pelos corredores da République me fez me sentir numa versão “Big Brother” de Rapture (Bioshock da 2k Games). Há, aliás, diversas semelhanças entre ambos os jogos, principalmente se forem colocadas lado a lado as distopias de Andrew Ryan de Bioshock com as do Headmaster da République (estas, porém, um pouco menos profundas e convincentes, claro), e a grandeza dos ideais representada pelo ambiente.

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Há muito o que se explorar no mundo de République, e é justamente essa a maravilha que só os games podem transmitir: a imersão da experiência. Se eu fosse descrever cada detalhe, explicar cada sensação (isso sem contar a história), muitas páginas seriam necessárias e eu, com certeza, não chegaria nem perto da experiência que é jogar République. Não se trata do melhor jogo do mundo, ou o melhor jogo para mobile, mas de um jogo que faz e faz bem feito, de uma maneira que ainda não conseguiram fazer  no universo mobile de um modo tão completo quando ele. Este é, sem dúvida, o primeiro passo para um novo nível para os jogos de dispositivos móveis, e espero que muito aprendam com eles no que se trata de se pensar todo o gameplay, controle e mecânicas acontecendo numa tela de toque, não num joystick simulado. Se você possui um dispositivo iOS (que suporte o jogo) e US$4,99 (para o primeiro capítulo), sugiro que vá experimentar este jogo. Se não possuir, não se preocupe: versões para MAC e PC já foram confirmadas. Caso você já o tenha comprado, resta esperar pelos próximos episódios (fica-a-dica: os produtores comentaram sobre terem começado primeiro pelo 2º episódio, e terem passado 6 meses produzindo-o, então ele deve ser dos bons).

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